Matéria no caderno “Opinião” do Jornal Estado de Minas

Cada vez mais os casais que desejam ter um filho, ou mesmo esperam pelo nascimento de um bebê, ficam ansiosos e curiosos a respeito de questões da saúde reprodutiva, anomalias do feto, avanços da área de medicina fetal e também da perspectiva do “feto como paciente”. 

Durante séculos, os cuidados com os seres humanos estavam restritos às medidas paliativas e curativas em fase da vida após o nascimento.  Mais recentemente, esses cuidados passaram a ser preventivos e o conceito de gerenciamento de riscos passou a ser aplicado como uma maneira de se evitar doenças.

Com o desenvolvimento do conhecimento e da tecnologia, esse cuidado preventivo, propedêutico e terapêutico se estendeu para fases da vida humana antes do nascimento e até mesmo antes da concepção.  Assim, o feto passou a ser tratado como um indivíduo, com direito à vida, a cuidados e respeito. Nesse sentido, desenvolveu-se, então, a ciência destinada à compreensão do desenvolvimento humano desde a sua origem, a partir da genética, da embriologia e fisiologia fetal, do desenvolvimento físico e emocional do bebê, do seu adoecimento, da prevenção e cura de doenças intraútero, no tratamento da dor e sofrimento fetal, que é a “Medicina Fetal”.

Dentro dessa realidade, o principal desafio é o diagnóstico precoce. Ele é fundamental para a solução de muitos problemas e o grande entrave é a baixa qualidade dos exames realizados. Outro importante desafio é a universalização desse entendimento entre médicos e pacientes. O ponto central é a necessidade de universalizar o atendimento, permitindo que um maior número de bebês tenha acesso ao diagnóstico precoce de qualidade e à possibilidade de tratamento. É desafio também se permitir que bebês e pais, mesmo em situações onde a vida ou a saúde dos fetos não possam ser garantidos, tenham acesso à compreensão plena desse processo e que possam ser acolhidos com dignidade e respeito. 

A Medicina Fetal, na maioria das vezes, ajudará os bebês a saírem de condições onde não se há, em várias situações, nenhuma perspectiva de vida, para uma pequena chance de sobreviver ou de minimizar alguma sequela. Muitas vezes os pais se apegam a essas chances e cada vez mais temos tido avanços nos resultados. Nesse sentido, é importante que os pais tenham a consciência de que a realização dos exames de ultrassom de rotina na gravidez são eventos médicos e não eventos recreativos. 

É importante saberem que existe todo um raciocínio por traz da realização da ultrassonografia visando detectar sinais, indícios de anomalias estruturais ou funcionais no desenvolvimento do bebê ou da placenta. Portanto, o diagnóstico de doenças no feto requer uma “Busca Ativa” pelo profissional que realiza o exame e, o mesmo, deve ser dotado de uma bagagem teórica e prática muito profunda e sólida. Sendo assim, os pais devem pesquisar os profissionais ou serviços que conduzirão às suas gestações. Eles deverão discutir com seus médicos pré-natalistas quem serão seus ultrassonografistas e fetólogos de referência. Devem pesquisar suas habilitações junto ao CRM e dar preferência a profissionais que tenham habilitação e expertise na avaliação da saúde do feto. 

A avaliação da formação e do desenvolvimento fetal é um evento contínuo. Isso significa que o bebê deverá ser avaliado criticamente em vários momentos do seu desenvolvimento porque sua estruturação física e comportamental está em constante processo de transformação. A partir desse conhecimento é que surgirão oportunidades de tratamento, racionalização e individualização da assistência, criação de um processo logístico que poderá envolver o nascimento em maternidade especializada, equipes multiprofissionais, suporte psicológico para os familiares e o seguimento para reabilitação, reintegração à sociedade e engajamento por políticas assistenciais mais amplas, profundas e humanísticas.

🎯 A tecnologia é uma grande aliada no meu trabalho. 🎯Através dela podem ser identificadas situações em que ter a informação precisa pode ajudar tanto no diagnóstico quanto em tratamentos que envolvam a necessidade de detalhamentos, que só ela pode oferecer. Acredito no poder do conhecimento e no poder da tecnologia. Os dois podem andar juntos, equilibrando-se e complementando-se; Este é o caso deste equipamento de ultrassom de alta definição, já disponível e em funcionamento na Fetali em BH, destinado principalmente para realização de exames em gestantes e mulheres, com recursos de última geração que permitem a realização de exames 3D e 4D, HD live, Doppler, gravação de exames e avaliação da morfologia do bebê. Um aliado de peso, para que eu possa me dedicar ao que é mais relevante: fazer o melhor pela vida que este equipamento me deixa ver. #medicinafetal #ultrassonografia #drfabiobatistuta #fetali #bomdespacho #belohorizonte

Estamos investindo, para melhor servir.

Hospital Vila da Serra realiza procedimento pioneiro de cirurgia intrauterina em feto com Mielomeningocele

O Hospital Vila da Serra realizou, na última terça-feira (24/04), a cirurgia intrauterina de Mielomeningocele, um procedimento pioneiro, que envolveu uma equipe multidisciplinar altamente especializada.  A Mielomeningocele é uma malformação na coluna do bebê, fazendo com que os tecidos neurológicos da criança fiquem expostos ao líquido amniótico, causando lesões neurológicas graves e altamente incapacitantes para a criança. O defeito surge antes da 8ª semana de gestação, durante a fase de formação dos órgãos fetais.

No mundo, a grande maioria das cirurgias para tratamento da doença, são realizadas após o nascimento do bebê. Porém o tratamento da Mielomeningocele pré-natal (intraútero) passou a ser uma realidade depois que os principais estudos começaram a ser publicados em 2011, quando foi comprovado que o tratamento pré-natal melhora os resultados fetais.

Diante neste novo cenário e com a vocação materno infantil, O hospital Vila de Serra viabilizou para que a sua equipe pudesse criar um centro de atenção multiprofissional especializada na assistência da criança com Mielomeningocele, juntamente com a equipe de Neurocirurgia Pediátrica, permitindo que cirurgias fetais de grande porte pudessem ser realizadas no estado de Minas Gerais.

A cirurgia realizada no HVS consistiu na abertura do abdome materno como numa cesariana, expondo-se o útero gravídico com o bebê no seu interior. Então, é feita uma abertura no útero menor do que três centímetros pela qual a equipe de Cirurgiões Fetais e Neurocirurgiões Pediátricos realizam a correção do defeito na coluna do feto.

As causas da Mielomeningocele são multifatoriais. Estão relacionadas a defeitos genéticos variados e a exposição a fatores ambientais. O uso de drogas, medicações anticonvulsivantes, quimioterápicos podem precipitar o não fechamento da coluna do bebê. A Mielomeningocele quando tratada precocemente durante a gestação, com uma intervenção intraútero, traz diversos benefícios, dentre eles a redução do risco de hidrocefalia e a necessidade de se colocar uma válvula para aliviar a pressão no cérebro do bebê, reduz ainda o risco de complicações pós-natais imediatas como meningite e complicações na ferida cirúrgica, além de aumenta as chances da criança andar.

Porém, mesmo diante dos benefícios desta técnica, centros de cirurgia fetais são escassos no país e restritos basicamente a São Paulo e Rio de Janeiro.  A cirurgia de Mielomeningocele começou a ser realizada sistematicamente no restante do mundo a partir de 2011, após a publicação do maior estudo comparativo entre as cirurgias pré-natais e pós-natais. Após esse período, a equipe do Dr. Moron e do Dr. Sérgio Cavallero em São Paulo foi pioneira na realização dessa cirurgia pela técnica clássica e logo a seguir, a equipe do Dr. Fábio Peralta e do Dr. Antônio De Sales iniciou o tratamento da Mielomeningocele pela cirurgia aberta modificada que tem demonstrado melhores resultados fetais com redução do risco materno. Outros centros também iniciaram a cirurgia de Mielomeningocele utilizando a técnica fechada por fetoscopia, cujos resultados ainda são controversos e sua realização deve ser feita em centros de pesquisa aprovados pelo comitê de ética.

Participaram da cirurgia realizada pelo Hospital Vila da Serra: Dr. Fábio Batistuta de Mesquita, Médico Especialista em Medicina Fetal, coordenador do serviço de Medicina Fetal e Cirurgia Fetal do Hospital Vila da Serra; Dr. Francisco Eduardo Lima, Médico Especialista em Medicina Fetal, coordenador do serviço de Ultrassonografia Gineco-Obstétrica do Hospital Vila da Serra (Fetali); Dr. Luis Guilherme Neves, Médico Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, Assistente do Serviço de Alto Risco Obstétrico do Hospital Vila da Serra; Dr. José Aloysio Costa Val, Médico Especialista em Neurocirurgia Pediátrica e Coordenador do Serviço de Neurocirurgia pediátrica dos hospitais Biocor e Hospital Vila da Serra; Leopoldo Mandic Ferreira Furtado, Médico Especialista em Neurocirurgia Pediátrica, Assistente do Serviço de Neurocirurgia dos Hospitais Biocor e Hospital Vila da Serra; Dr. Rodrigo Bernardes, Médico Especialista em Anestesiologista do Hospital Vila da Serra; Dra. Mariana Rajão, Médica Residente em Anestesiologia do Hospital Vila da Serra; Dra. Vivian Lemos, Médica Especialista em Cirurgia plástica reparadora e Microcirurgia do Hospital Vila da Serra.

A cirurgia foi realizada com sucesso, mãe e bebê passam bem, e agora ambos serão monitorados até o nascimento do bebê.

 

Fonte: Hospital Vila da Serra realiza procedimento pioneiro de cirurgia intrauterina em feto com Mielomeningocele

O feto como paciente

Até bem pouco tempo, acreditava-se que a vida de um ser humano começava com seu nascimento. Hoje sabemos que um dos períodos mais importantes na formação do indivíduo acontece numa fase da gestação quando muitas mulheres ainda nem tem consciência de estarem grávidas.

Sabemos que muitas gestações necessitarão de algum cuidado médico, seja durante o parto, seja no tratamento de alguma doença  materna como o diabetes ou a hipertensão arterial, ou no tratamento de alguma enfermidade fetal. O difícil é saber, no universo de todas a grávidas, qual se beneficiará de alguma intervenção médica.

O Fetólogo é o profissional especializado no diagnóstico e tratamento de doenças do bebê antes de nascer. Isso inclui as enfermidades maternas que podem levar ao adoecimento fetal simultâneo ou à interrupção precoce da gestaçao. O nascimento prematuro é responsável por mais da metade das causas de morte em recem nascidos.

Diversas estratégias são utilizadas para esse fim. Existem regras claras e em constante adaptação às mudanças tecnológicas, publicadas pelos principais centros de Medicina Fetal no mundo.

O ideal é que as futuras mães façam um acompanhamento antes de engravidarem. Período importante para iniciar o ácido fólico, colocar a vacinação em dia, controlar doenças crônicas, interromper o anticoncepcional e colher o papanicolau. Caso a gravidez não tenha sido planejada, o acompanhamento deverá ser iniciado o mais breve possível.

Basicamente, duas estratégias são adotadas pelos Fetólogos para otimizarem o resultado da gestação, aumentando a possibilidade de que mãe e filho recebam alta hospitalar saudáveis.

1ª – Rastreio universal, ou seja, a avaliação de todas as gestantes por meio de Consulta Clínica Especializada, Avaliação Laboratorial e Ultrassonografia com Estudo Morfológico Avançado, Doppler e Exame transvaginal. As avaliações são realizadas sistematicamente de 11 a 13 semanas e 6 dias, de 18 a 24 semanas e de 28 a 32 semanas. Nessas visitas define-se o perfil de risco da gestação e individualiza a condução da gestação. É nesse momento que se adota medidas preventivas, curativas e uma agenda de acompanhamento que varia de acordo com os ricos observados.

2ª – Outra abordagem é destinada para as gestações sabidamente doentes, para as de alto risco ou para aquelas cuja avaliaçao inicial evidenciou alguma variação da normalidade. Nesses casos o Fetólogo interferirá, caso necessário, para definir o diagnóstico preciso, propor um tratamento quando possível e definir quais resultados esperar.  Baseando-se nas evidências científicas atualizadas, um plano de cuidados poderá ser montado.

O Fetólogo trabalha em conjunto com o obstetra e não substitui seu papel. Será o obstetra o condutor dos cuidados maternos e o responsável pela assistência ao parto. Naturalmente haverá  divergências de condutas, principalmente em se tratando de uma ciência em constante tranformação, mas o importante é que trabalhando em equipe, o obstetra, o fetólogo, o neonatologista, o cirurgião pediátrico, o pediatra clínico, o anestesista, o geneticista, o psicólogo e os demais envolvidos nos cuidados, atuem sinergicamente buscando o melhor resultado para a criança e toda a família.

* A foto acima ilustra uma cirurgia de correção de uma Mielomeningocele em uma gestação de 21 semanas, pela técnica de minihisterotomia desenvolvida pelo Dr Fábio Peralta e a equipe de neurocirurgia do Dr de Sales.

A História da Família Contemporânea

História da família contemporânea

Neste Café Filosófico, o psiquiatra Joel Birman nos conduz por uma história da família e mostra como a relação entre pais, mães, filhos a avós se transformou ao longo do tempo. Da chamada família pré-moderna, que exibia uma estrutura rigidamente patriarcal, passando pela família moderna, onde a mulher ganha um novo poder em seu papel de mãe, nós chegamos à família contemporânea, onde os papeis e relações de poder ainda estão sendo definidos. Este passeio nos ajuda a compreender a família de ontem e de hoje.

Com Joel Birman, psiquiatra e psicoterapeuta. Professor de Psicologia na UFRJ e UERJ.

Gravada no dia 17 de agosto de 2012 em Campinas.

10 ideias para passar tempo de qualidade com os filhos

mae e filhos a brincar na praia

Por vezes, as nossas vidas estão tão preenchidas pelo emprego, objectivos pessoais, rotinas diárias e com o facto de querermos mudar o mundo, que acabamos por passar muito pouco tempo com os nossos filhos. E embora isto possa parecer um cliché, a verdade é que o nosso tempo com eles é tão limitado e passa tão depressa que, se não dermos por ela, podemos perder grande parte da sua infância. Por isso mesmo, juntamos 10 ideias simples para passar tempo de qualidade com os seus filhos – seja um ou cinco! Este é um investimento que vale a pena… 

  1. Marque um encontro. Marque um encontro semanal com cada filho, para assegurar que tem algum tempo de qualidade com cada um. Podem escolher em conjunto que actividade vão fazer ou então deixe a criança decidir.
  2. Hora de leitura. Esta é uma excelente actividade para fazer com a pequenada e uma óptima maneira de incutir hábitos de leitura. Para além disso, é fácil ler-lhes uma história todas as noites, mesmo quando chega a casa mais tarde.
  3. Fale com eles depois do trabalho. Quando chegar a casa, em vez de se sentar no sofá a ver televisão ou ir logo para o computador, faça o esforço, sente-se com os miúdos e conversem sobre o vosso dia. Se tiver bom tempo, porque não fazerem uma caminhada antes do jantar?
  4. Joguem aos “altos e baixos”. Durante a hora do jantar, cada pessoa fala do ponto alto e do ponto baixo dos seus respectivos dias. É uma excelente maneira de envolver toda a família na conversa e de saber o que se passa na vida de cada um.
  5. Trabalhem num projecto comum. Em conjunto com o seu filho(s) escolham um projecto no qual vão participar os dois: pode ser montar um avião modelo, ensiná-lo a jogar xadrez ou basquetebol, ou ainda lerem a colecção inteira dos livros do Harry Potter em voz alta um ao outro. Para além de ser uma valiosa lição no que toca a começar e a terminar um projecto, podem fazer coisas muito divertidas.
  6. Brincadeiras divertidas. Não tenha receio nem vergonha de brincar com os seus filhos – vejam cartoons, divirtam-se com jogos de mesa ou videojogos, construam um forte, façam uma peça de teatro, tenham uma batalha de almofadas, brinquem aos super-heróis. No entanto, não espere que a pequenada brinque ao seu nível, terá de descer ao deles.
  7. Fale com as crianças no carro. Quando o tempo é pouco, aproveite as viagens que faz com os miúdos para a escola ou para as aulas de inglês para porem a conversa em dia.
  8. Reunião de Família. Esta pode ser semanal ou quinzenal e, embora não seja exclusivamente passada com as crianças, pode ser muito útil para falarem de determinados assuntos em família, para se certificarem que conseguem reunir toda a gente para jantar e até para planear o Dia da Família.
  9. Dia da Família. Deve haver um dia da semana inteiramente dedicado à família – pode ser uma noite de quarta-feira com pizzas e DVDs para verem em conjunto ou então um sábado, onde planeiam uma actividade divertida para fazerem todos juntos.
  10. Abraço forte. Quando não tem, nem vai haver tempo, não há nada como colocar aqueles traquinas de palmo e meio no seu colo e simplesmente abraçá-los… seja carinhoso e deixem-se estar. Este tipo de intimidade é muito importante e deve ser aproveitada enquanto os miúdos são pequenos, porque há-de chegar o dia em que já não vão querer dar abraços aos pais… ou pelo menos tantos

Fonte: * Estado Zen