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Rastreamento e prevenção de pré-eclâmpsia no 1° trimestre de acordo com a F.I.G.O

Artigo:

The International Federation of Gynecology and Obstetrics (FIGO) initiative on pre-eclampsia: A pragmatic guide for first-trimester screening and prevention. Int J Gynaecol Obstet. 2019 May;145 Suppl 1:1-33. doi: 10.1002/ijgo.12802. 

Autor(es):
Poon LC, Shennan A, Hyett JA, Kapur A, et all

A pré-eclâmpsia (PE) é uma doença cuja patogênese ainda continua pouco compreendida, mas as principais teorias acerca sugerem que essa é uma doença em dois estágios. O primeiro está relacionado com a pobre invasão trofoblástica no miométrio, resultando numa remodelagem insuficiente das artérias espiraladas. O segundo envolve uma disfunção endotelial com resposta desbalanceada entre os fatores angiogênicos e antiangiogênicos, provocando as desordens clínicas observadas.

A PE afeta 2% a 5% de todas as gravidezes no mundo e, sobretudo sua forma de Início Precoce, é uma das principais causas de mortalidade e morbidade materna e perinatal. É responsável direta pela morte de 76.000 mães e 500.000 bebês a cada ano. Apesar de ser um problema global, afeta principalmente os países pobres e/ou em desenvolvimento e, enquanto é responsável por 14% das mortes maternas globalmente, na América Latina e Caribe é responsável por cerca de 22% das mortes.

Esse Guia desenvolvido pela FIGO é contundente e baseado no que há melhor produção científica no mundo nos últimos 30 anos. Ressalta a importância de se rastrear “universalmente” todas as grávidas, estratificando-se o risco gestacional para o desenvolvimento da PE com suas complicações e as medidas profiláticas, sobretudo o uso da Aspirina, para redução da incidência da doença.

Segundo o corpo de evidências de altíssima qualidade levantado pela F.I.G.O., o melhor modelo de rastreio que é recomendado devido à sua alta sensibilidade para um baixo falso positivo, é a análise multifatorial dos “Fatores de Risco materno” associados à “Dosagem do PLGF”, à “Medida da Pressão Arterial Média materna” e ao “Doppler das Artérias Uterinas”, ambos realizados no período de 11 a 13 semanas de gestação juntamente com o estudo morfológico fetal. Identificada a população de grávidas com o maior risco para desenvolvimento de pré-eclâmpsia, está fortemente indicado o uso de 150 mg de AAS, diariamente, à noite, a partir da 11ª semana de gestação até a 36ª semana ou até o início dos sintomas de pré-eclâmpsia.

A F.I.G.O. encoraja que todos os países e os membros das associações responsáveis pela aplicação de diretrizes de saúde pública perinatal, se empenhem para assegurar e promover a estratégia de rastreamento Universal e a profilaxia com AAS, mediante comprovação inequívoca da redução da doença e suas complicações no mundo, bem como das fortes evidências da redução dos custos envolvidos com o rastreamento e a prevenção.

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1ª Edição da Revista digital GO ON – SOGIMIG

Jornal Belvedere

Pioneiro no tratamento cirúrgico de doenças fetais o Hospital Vila da Serra realizou, no último mês, pela primeira vez em Minas Gerais, uma Fetoscopia.

© Foto: Divulgação/João Kleber/Cedida HVS

Técnica menos invasiva que permite operar o bebê dentro da barriga da mãe para tratar uma Hérnia Diafragmática Congênita Grave (HDC). Defeito congênito raro que, quando não diagnosticado no primeiro trimestre de gestação, pode comprometer o desenvolvimento do pulmão e provocar o deslocamento do coração do feto para o lado, com reflexos sobre a capacidade respiratória e grande risco de morte, ao nascer.

Segundo o cirurgião fetal, dr. Fábio Batistuta de Mesquita, por meio da fetoscopia é feito um furo menor que 5 mm na barriga da gestante onde é introduzida uma câmera e os equipamentos necessários para o procedimento, que pode ser realizado em fetos de aproximadamente 27/28 semanas.

O cirurgião explica ainda, que com o auxílio do ultrassom e sob visão direta com o fetoscópio, o equipamento é introduzido na boca do feto, através da laringe e cordas vocais, um balão é posicionado e inflado na traqueia, para estimular o desenvolvimento e amadurecimento acelerado dos alvéolos, brônquios e vasos pulmonares. Esse desenvolvimento é que garantirá a troca de gazes pelas células pulmonares após o nascimento.

Duas semanas após a cirurgia foi possível detectar aumento do pulmão do bebê, o que comprova o sucesso da técnica. Uma nova cirurgia será necessária para a retirada e/ou perfuração do balão antes do nascimento.

Batistuta explica que, quando não é possível utilizar a técnica cirúrgica fetal, a gestante necessitará de um ambiente preparado para o atendimento desse tipo de caso durante o parto. “A cirurgia definitiva para correção da HDC será realizada após o nascimento do bebê, durante todo o período pré e pós-cirúrgico, o bebê permanecerá internado em Centro de Terapia Intensiva, sob ventilação artificial, com todas as funções vitais monitoradas e uso de medicamentos específicos”, conclui.

SERVIÇO:

Serviço de Medicina Fetal e Cirurgia Fetal do Hospital Vila da Serra
Endereço: Alameda Oscar Niemeyer 499, 2º andar, Clínica Fetali.
Fone: 31-3228-8187

Hospital Vila da Serra realiza cirurgia intrauterina com sucessoSAÚDEPUBLICADO SEXTA, 11 OUTUBRO 2019 19:26

👥Neste período ocorre a formação dos órgãos do feto e o risco é maior de ocorrerem doenças associadas a alterações genéticas, por exemplo. 👥Por isso, é muito importante um cuidado especial nessa fase: evitar determinadas medicações e bebidas, fazer exames de imagem e todos que forem solicitados pelo seu médico.⠀

👥Também é nesta fase que ocorre a maioria dos abortos espontâneos: de 10 a 15% das mulheres abortam até a 12ª semana de gestação – geralmente decorrente, justamente, por malformações do embrião. ⠀

👥Estes eventos possuem chances de ocorrer mas poderão ser reduzidas ou remediadas com um acompanhamento periódico do seu médico. Esteja atenta aos cuidados, preservando a alegria e aproveitando todas as fases que este acontecimento merece.

www.instagram.com/p/By5E-iHHk6o/

Os três primeiros meses da gravidez

Matéria no caderno “Opinião” do Jornal Estado de Minas

Cada vez mais os casais que desejam ter um filho, ou mesmo esperam pelo nascimento de um bebê, ficam ansiosos e curiosos a respeito de questões da saúde reprodutiva, anomalias do feto, avanços da área de medicina fetal e também da perspectiva do “feto como paciente”. 

Durante séculos, os cuidados com os seres humanos estavam restritos às medidas paliativas e curativas em fase da vida após o nascimento.  Mais recentemente, esses cuidados passaram a ser preventivos e o conceito de gerenciamento de riscos passou a ser aplicado como uma maneira de se evitar doenças.

Com o desenvolvimento do conhecimento e da tecnologia, esse cuidado preventivo, propedêutico e terapêutico se estendeu para fases da vida humana antes do nascimento e até mesmo antes da concepção.  Assim, o feto passou a ser tratado como um indivíduo, com direito à vida, a cuidados e respeito. Nesse sentido, desenvolveu-se, então, a ciência destinada à compreensão do desenvolvimento humano desde a sua origem, a partir da genética, da embriologia e fisiologia fetal, do desenvolvimento físico e emocional do bebê, do seu adoecimento, da prevenção e cura de doenças intraútero, no tratamento da dor e sofrimento fetal, que é a “Medicina Fetal”.

Dentro dessa realidade, o principal desafio é o diagnóstico precoce. Ele é fundamental para a solução de muitos problemas e o grande entrave é a baixa qualidade dos exames realizados. Outro importante desafio é a universalização desse entendimento entre médicos e pacientes. O ponto central é a necessidade de universalizar o atendimento, permitindo que um maior número de bebês tenha acesso ao diagnóstico precoce de qualidade e à possibilidade de tratamento. É desafio também se permitir que bebês e pais, mesmo em situações onde a vida ou a saúde dos fetos não possam ser garantidos, tenham acesso à compreensão plena desse processo e que possam ser acolhidos com dignidade e respeito. 

A Medicina Fetal, na maioria das vezes, ajudará os bebês a saírem de condições onde não se há, em várias situações, nenhuma perspectiva de vida, para uma pequena chance de sobreviver ou de minimizar alguma sequela. Muitas vezes os pais se apegam a essas chances e cada vez mais temos tido avanços nos resultados. Nesse sentido, é importante que os pais tenham a consciência de que a realização dos exames de ultrassom de rotina na gravidez são eventos médicos e não eventos recreativos. 

É importante saberem que existe todo um raciocínio por traz da realização da ultrassonografia visando detectar sinais, indícios de anomalias estruturais ou funcionais no desenvolvimento do bebê ou da placenta. Portanto, o diagnóstico de doenças no feto requer uma “Busca Ativa” pelo profissional que realiza o exame e, o mesmo, deve ser dotado de uma bagagem teórica e prática muito profunda e sólida. Sendo assim, os pais devem pesquisar os profissionais ou serviços que conduzirão às suas gestações. Eles deverão discutir com seus médicos pré-natalistas quem serão seus ultrassonografistas e fetólogos de referência. Devem pesquisar suas habilitações junto ao CRM e dar preferência a profissionais que tenham habilitação e expertise na avaliação da saúde do feto. 

A avaliação da formação e do desenvolvimento fetal é um evento contínuo. Isso significa que o bebê deverá ser avaliado criticamente em vários momentos do seu desenvolvimento porque sua estruturação física e comportamental está em constante processo de transformação. A partir desse conhecimento é que surgirão oportunidades de tratamento, racionalização e individualização da assistência, criação de um processo logístico que poderá envolver o nascimento em maternidade especializada, equipes multiprofissionais, suporte psicológico para os familiares e o seguimento para reabilitação, reintegração à sociedade e engajamento por políticas assistenciais mais amplas, profundas e humanísticas.

🎯 A tecnologia é uma grande aliada no meu trabalho. 🎯Através dela podem ser identificadas situações em que ter a informação precisa pode ajudar tanto no diagnóstico quanto em tratamentos que envolvam a necessidade de detalhamentos, que só ela pode oferecer. Acredito no poder do conhecimento e no poder da tecnologia. Os dois podem andar juntos, equilibrando-se e complementando-se; Este é o caso deste equipamento de ultrassom de alta definição, já disponível e em funcionamento na Fetali em BH, destinado principalmente para realização de exames em gestantes e mulheres, com recursos de última geração que permitem a realização de exames 3D e 4D, HD live, Doppler, gravação de exames e avaliação da morfologia do bebê. Um aliado de peso, para que eu possa me dedicar ao que é mais relevante: fazer o melhor pela vida que este equipamento me deixa ver. #medicinafetal #ultrassonografia #drfabiobatistuta #fetali #bomdespacho #belohorizonte

Estamos investindo, para melhor servir.

Hospital Vila da Serra realiza procedimento pioneiro de cirurgia intrauterina em feto com Mielomeningocele

O Hospital Vila da Serra realizou, na última terça-feira (24/04), a cirurgia intrauterina de Mielomeningocele, um procedimento pioneiro, que envolveu uma equipe multidisciplinar altamente especializada.  A Mielomeningocele é uma malformação na coluna do bebê, fazendo com que os tecidos neurológicos da criança fiquem expostos ao líquido amniótico, causando lesões neurológicas graves e altamente incapacitantes para a criança. O defeito surge antes da 8ª semana de gestação, durante a fase de formação dos órgãos fetais.

No mundo, a grande maioria das cirurgias para tratamento da doença, são realizadas após o nascimento do bebê. Porém o tratamento da Mielomeningocele pré-natal (intraútero) passou a ser uma realidade depois que os principais estudos começaram a ser publicados em 2011, quando foi comprovado que o tratamento pré-natal melhora os resultados fetais.

Diante neste novo cenário e com a vocação materno infantil, O hospital Vila de Serra viabilizou para que a sua equipe pudesse criar um centro de atenção multiprofissional especializada na assistência da criança com Mielomeningocele, juntamente com a equipe de Neurocirurgia Pediátrica, permitindo que cirurgias fetais de grande porte pudessem ser realizadas no estado de Minas Gerais.

A cirurgia realizada no HVS consistiu na abertura do abdome materno como numa cesariana, expondo-se o útero gravídico com o bebê no seu interior. Então, é feita uma abertura no útero menor do que três centímetros pela qual a equipe de Cirurgiões Fetais e Neurocirurgiões Pediátricos realizam a correção do defeito na coluna do feto.

As causas da Mielomeningocele são multifatoriais. Estão relacionadas a defeitos genéticos variados e a exposição a fatores ambientais. O uso de drogas, medicações anticonvulsivantes, quimioterápicos podem precipitar o não fechamento da coluna do bebê. A Mielomeningocele quando tratada precocemente durante a gestação, com uma intervenção intraútero, traz diversos benefícios, dentre eles a redução do risco de hidrocefalia e a necessidade de se colocar uma válvula para aliviar a pressão no cérebro do bebê, reduz ainda o risco de complicações pós-natais imediatas como meningite e complicações na ferida cirúrgica, além de aumenta as chances da criança andar.

Porém, mesmo diante dos benefícios desta técnica, centros de cirurgia fetais são escassos no país e restritos basicamente a São Paulo e Rio de Janeiro.  A cirurgia de Mielomeningocele começou a ser realizada sistematicamente no restante do mundo a partir de 2011, após a publicação do maior estudo comparativo entre as cirurgias pré-natais e pós-natais. Após esse período, a equipe do Dr. Moron e do Dr. Sérgio Cavallero em São Paulo foi pioneira na realização dessa cirurgia pela técnica clássica e logo a seguir, a equipe do Dr. Fábio Peralta e do Dr. Antônio De Sales iniciou o tratamento da Mielomeningocele pela cirurgia aberta modificada que tem demonstrado melhores resultados fetais com redução do risco materno. Outros centros também iniciaram a cirurgia de Mielomeningocele utilizando a técnica fechada por fetoscopia, cujos resultados ainda são controversos e sua realização deve ser feita em centros de pesquisa aprovados pelo comitê de ética.

Participaram da cirurgia realizada pelo Hospital Vila da Serra: Dr. Fábio Batistuta de Mesquita, Médico Especialista em Medicina Fetal, coordenador do serviço de Medicina Fetal e Cirurgia Fetal do Hospital Vila da Serra; Dr. Francisco Eduardo Lima, Médico Especialista em Medicina Fetal, coordenador do serviço de Ultrassonografia Gineco-Obstétrica do Hospital Vila da Serra (Fetali); Dr. Luis Guilherme Neves, Médico Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, Assistente do Serviço de Alto Risco Obstétrico do Hospital Vila da Serra; Dr. José Aloysio Costa Val, Médico Especialista em Neurocirurgia Pediátrica e Coordenador do Serviço de Neurocirurgia pediátrica dos hospitais Biocor e Hospital Vila da Serra; Leopoldo Mandic Ferreira Furtado, Médico Especialista em Neurocirurgia Pediátrica, Assistente do Serviço de Neurocirurgia dos Hospitais Biocor e Hospital Vila da Serra; Dr. Rodrigo Bernardes, Médico Especialista em Anestesiologista do Hospital Vila da Serra; Dra. Mariana Rajão, Médica Residente em Anestesiologia do Hospital Vila da Serra; Dra. Vivian Lemos, Médica Especialista em Cirurgia plástica reparadora e Microcirurgia do Hospital Vila da Serra.

A cirurgia foi realizada com sucesso, mãe e bebê passam bem, e agora ambos serão monitorados até o nascimento do bebê.

 

Fonte: Hospital Vila da Serra realiza procedimento pioneiro de cirurgia intrauterina em feto com Mielomeningocele