Hospital Vila da Serra realiza procedimento pioneiro de cirurgia intrauterina em feto com Mielomeningocele

O Hospital Vila da Serra realizou, na última terça-feira (24/04), a cirurgia intrauterina de Mielomeningocele, um procedimento pioneiro, que envolveu uma equipe multidisciplinar altamente especializada.  A Mielomeningocele é uma malformação na coluna do bebê, fazendo com que os tecidos neurológicos da criança fiquem expostos ao líquido amniótico, causando lesões neurológicas graves e altamente incapacitantes para a criança. O defeito surge antes da 8ª semana de gestação, durante a fase de formação dos órgãos fetais.

No mundo, a grande maioria das cirurgias para tratamento da doença, são realizadas após o nascimento do bebê. Porém o tratamento da Mielomeningocele pré-natal (intraútero) passou a ser uma realidade depois que os principais estudos começaram a ser publicados em 2011, quando foi comprovado que o tratamento pré-natal melhora os resultados fetais.

Diante neste novo cenário e com a vocação materno infantil, O hospital Vila de Serra viabilizou para que a sua equipe pudesse criar um centro de atenção multiprofissional especializada na assistência da criança com Mielomeningocele, juntamente com a equipe de Neurocirurgia Pediátrica, permitindo que cirurgias fetais de grande porte pudessem ser realizadas no estado de Minas Gerais.

A cirurgia realizada no HVS consistiu na abertura do abdome materno como numa cesariana, expondo-se o útero gravídico com o bebê no seu interior. Então, é feita uma abertura no útero menor do que três centímetros pela qual a equipe de Cirurgiões Fetais e Neurocirurgiões Pediátricos realizam a correção do defeito na coluna do feto.

As causas da Mielomeningocele são multifatoriais. Estão relacionadas a defeitos genéticos variados e a exposição a fatores ambientais. O uso de drogas, medicações anticonvulsivantes, quimioterápicos podem precipitar o não fechamento da coluna do bebê. A Mielomeningocele quando tratada precocemente durante a gestação, com uma intervenção intraútero, traz diversos benefícios, dentre eles a redução do risco de hidrocefalia e a necessidade de se colocar uma válvula para aliviar a pressão no cérebro do bebê, reduz ainda o risco de complicações pós-natais imediatas como meningite e complicações na ferida cirúrgica, além de aumenta as chances da criança andar.

Porém, mesmo diante dos benefícios desta técnica, centros de cirurgia fetais são escassos no país e restritos basicamente a São Paulo e Rio de Janeiro.  A cirurgia de Mielomeningocele começou a ser realizada sistematicamente no restante do mundo a partir de 2011, após a publicação do maior estudo comparativo entre as cirurgias pré-natais e pós-natais. Após esse período, a equipe do Dr. Moron e do Dr. Sérgio Cavallero em São Paulo foi pioneira na realização dessa cirurgia pela técnica clássica e logo a seguir, a equipe do Dr. Fábio Peralta e do Dr. Antônio De Sales iniciou o tratamento da Mielomeningocele pela cirurgia aberta modificada que tem demonstrado melhores resultados fetais com redução do risco materno. Outros centros também iniciaram a cirurgia de Mielomeningocele utilizando a técnica fechada por fetoscopia, cujos resultados ainda são controversos e sua realização deve ser feita em centros de pesquisa aprovados pelo comitê de ética.

Participaram da cirurgia realizada pelo Hospital Vila da Serra: Dr. Fábio Batistuta de Mesquita, Médico Especialista em Medicina Fetal, coordenador do serviço de Medicina Fetal e Cirurgia Fetal do Hospital Vila da Serra; Dr. Francisco Eduardo Lima, Médico Especialista em Medicina Fetal, coordenador do serviço de Ultrassonografia Gineco-Obstétrica do Hospital Vila da Serra (Fetali); Dr. Luis Guilherme Neves, Médico Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, Assistente do Serviço de Alto Risco Obstétrico do Hospital Vila da Serra; Dr. José Aloysio Costa Val, Médico Especialista em Neurocirurgia Pediátrica e Coordenador do Serviço de Neurocirurgia pediátrica dos hospitais Biocor e Hospital Vila da Serra; Leopoldo Mandic Ferreira Furtado, Médico Especialista em Neurocirurgia Pediátrica, Assistente do Serviço de Neurocirurgia dos Hospitais Biocor e Hospital Vila da Serra; Dr. Rodrigo Bernardes, Médico Especialista em Anestesiologista do Hospital Vila da Serra; Dra. Mariana Rajão, Médica Residente em Anestesiologia do Hospital Vila da Serra; Dra. Vivian Lemos, Médica Especialista em Cirurgia plástica reparadora e Microcirurgia do Hospital Vila da Serra.

A cirurgia foi realizada com sucesso, mãe e bebê passam bem, e agora ambos serão monitorados até o nascimento do bebê.

 

Fonte: Hospital Vila da Serra realiza procedimento pioneiro de cirurgia intrauterina em feto com Mielomeningocele

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Serei pai de gêmeos, e agora?

 

Receber a notícia de que dois ou mais bebês estão abordo da “nave mãe” é uma das sensações mais excitantes, emocionantes e temerárias numa gravidez. São sentimentos antagônicos de alegria e medo numa só informação.

Não é para menos, dentre as situações de risco que podem envolver esse período da vida da mulher, a gravidez múltipla é uma das que agrega maiores possibilidades de complicações. A começar pelo fato de que em determinado período, três, quatro ou mais indivíduos dependerão de um só organismo.

E por se tratar de uma situação de risco, nada melhor do que se aconselhar com quem compreende profundamente desse assunto. O acompanhamento de uma gestante de gêmeos deverá ser realizado  por um especialista no assunto. Dentre as situações de risco na obstetrícia é essa a que requer um maior grau de compreensão e experiência. As taxas de complicações são mais altas entre as gestações múltiplas que entre as gestações únicas, assim como a incidência de doenças como a pré-eclâmpsia, o parto prematuro, as malformações fetais, as discrepâncias pesos e o surgimento de doenças específicas entre os gêmeos que dividem a mesma placenta.

Mães de gêmeos costumam sentir dores com mais frequência, dificuldades para caminhar, respirar ou simplesmente virarem-se na cama. Costumam iniciar as contrações uterinas de treinamento mais precocemente e sofrem com a ansiedade de ter que lidar com todas as sensações e sentimentos em dobro.

O ideal é que essas gestações sejam acompanhadas por um fetólogo, o médico especialista na saúde do bebê antes do seu nascimento e por um obstetra especialista em Alto Risco, tão logo a mãe descubra estar portando gêmeos.

Uma informação frequentemente negligenciada ou equivocada por ultrassonografistas menos experientes é a do número de placentas, informação essa que determina o risco da gestação e a maneira mais apropriada de se acompanhar essa gestante. Essa informação será obtida com maior grau de certeza nos primeiros três meses de gestação.

. Gêmeos que dividem a mesma placenta apresentam dezenas de vezes mais risco de portarem alguma anomalia estrutural, de apresentarem doenças específicas de quem divide a mesma circulação sanguínea e de morrerem subitamente ao longo da gravidez. Esse tipo de gemelaridade, também chamada de “monocoriônica”, requer seguimento ultrassonográfico morfológico detalhado a cada trimestre de gestação, monitorização ultrassonográfica do colo uterino pela via transvaginal e ultrassonografias seriadas quinzenais a partir de 16 semanas de gestação.

O diagnóstico precoce de uma doença específica da gravidez de gêmeos permite uma abordagem mais racional, com menor possibilidade de complicações e quando necessário, o tratamento cirúrgico com laser para interromper a comunicação vascular entre os gêmeos e separar as placentas.

Pais, invistam na segurança dos seus filhos, consultem um especialista em acompanhamento ultrassonográfico de gêmeos e fiquem tranquilos durante a gestação.

 

 

Dr Fábio Batistuta de Mesquita
Fetólogo e pai de Gêmeas

O feto como paciente

Até bem pouco tempo, acreditava-se que a vida de um ser humano começava com seu nascimento. Hoje sabemos que um dos períodos mais importantes na formação do indivíduo acontece numa fase da gestação quando muitas mulheres ainda nem tem consciência de estarem grávidas.

Sabemos que muitas gestações necessitarão de algum cuidado médico, seja durante o parto, seja no tratamento de alguma doença  materna como o diabetes ou a hipertensão arterial, ou no tratamento de alguma enfermidade fetal. O difícil é saber, no universo de todas a grávidas, qual se beneficiará de alguma intervenção médica.

O Fetólogo é o profissional especializado no diagnóstico e tratamento de doenças do bebê antes de nascer. Isso inclui as enfermidades maternas que podem levar ao adoecimento fetal simultâneo ou à interrupção precoce da gestaçao. O nascimento prematuro é responsável por mais da metade das causas de morte em recem nascidos.

Diversas estratégias são utilizadas para esse fim. Existem regras claras e em constante adaptação às mudanças tecnológicas, publicadas pelos principais centros de Medicina Fetal no mundo.

O ideal é que as futuras mães façam um acompanhamento antes de engravidarem. Período importante para iniciar o ácido fólico, colocar a vacinação em dia, controlar doenças crônicas, interromper o anticoncepcional e colher o papanicolau. Caso a gravidez não tenha sido planejada, o acompanhamento deverá ser iniciado o mais breve possível.

Basicamente, duas estratégias são adotadas pelos Fetólogos para otimizarem o resultado da gestação, aumentando a possibilidade de que mãe e filho recebam alta hospitalar saudáveis.

1ª – Rastreio universal, ou seja, a avaliação de todas as gestantes por meio de Consulta Clínica Especializada, Avaliação Laboratorial e Ultrassonografia com Estudo Morfológico Avançado, Doppler e Exame transvaginal. As avaliações são realizadas sistematicamente de 11 a 13 semanas e 6 dias, de 18 a 24 semanas e de 28 a 32 semanas. Nessas visitas define-se o perfil de risco da gestação e individualiza a condução da gestação. É nesse momento que se adota medidas preventivas, curativas e uma agenda de acompanhamento que varia de acordo com os ricos observados.

2ª – Outra abordagem é destinada para as gestações sabidamente doentes, para as de alto risco ou para aquelas cuja avaliaçao inicial evidenciou alguma variação da normalidade. Nesses casos o Fetólogo interferirá, caso necessário, para definir o diagnóstico preciso, propor um tratamento quando possível e definir quais resultados esperar.  Baseando-se nas evidências científicas atualizadas, um plano de cuidados poderá ser montado.

O Fetólogo trabalha em conjunto com o obstetra e não substitui seu papel. Será o obstetra o condutor dos cuidados maternos e o responsável pela assistência ao parto. Naturalmente haverá  divergências de condutas, principalmente em se tratando de uma ciência em constante tranformação, mas o importante é que trabalhando em equipe, o obstetra, o fetólogo, o neonatologista, o cirurgião pediátrico, o pediatra clínico, o anestesista, o geneticista, o psicólogo e os demais envolvidos nos cuidados, atuem sinergicamente buscando o melhor resultado para a criança e toda a família.

* A foto acima ilustra uma cirurgia de correção de uma Mielomeningocele em uma gestação de 21 semanas, pela técnica de minihisterotomia desenvolvida pelo Dr Fábio Peralta e a equipe de neurocirurgia do Dr de Sales.