Novembro Roxo – Mês da Conscientização da prematuridade

17 DE NOVEMBRO – DIA MUNDIAL DA PREVENÇÃO DA PREMATURIDADE 

PREMATURIDADE

A prematuridade é a maior causa isolada de mortalidade e morbidade neonatal.

Estima-se que nasçam cerca de 15 milhões de bebês prematuros no mundo a cada ano e cerca de 1 milhão deles morrerão antes dos 5 anos de idade. Três quartos dessas mortes poderiam ser evitadas com medidas pré-natais simples e financeiramente viáveis.(OMS-2015)

O Brasil está entre os 10 primeiros países no mundo com maior taxa de nascimentos prematuros. Estima-se que nasçam mais de 340.000 crianças prematuras no país a cada ano, ou seja, bebês com idade gestacional inferior a 37 semanas de atraso menstrual. Os nascimentos prematuros no nosso país representam cerca de 10 a 15 % de todos os nascidos vivos.(OMS-2015)

Cerca de 70% dos partos prematuros são expontâneos e a maioria dos casos ocorrem em primíparas ou em pacientes que não apresentam história de prematuridade prévia. Cerca de 30% são Iatrogênicos (DPP, Amniorexe prematura, PE, RCIU, etc) e sua incidência aumentou muito nas últimas décadas. A investigação sistemática em todas as gestantes é necessária para se selecionar o grupo de maior risco e, que portanto se beneficiarão de medidas profiláticas que reduzirão a incidência de prematuridade.

FATORES DE RISCO

Os principais fatores de risco e que apresentam maior RR (risco relativo) podem ser classificados como:

  • Parto prematuro prévio
  • Intervenções sobre o colo uterino
  • Infecções uterinas
  • Hemorragias durante a gestação
  • Sobredistensão do útero – Gestações múltiplas e poli-hidrâmnio
  • Estresse materno e fetal
Fator de risco e seu Odds Ratio

O COLO UTERINO

A medida do colo uterino, realizada pela via transvaginal, é o dado objetivo, quantitativo, obtido durante a gestação que isoladamente tem maior sensibilidade e especificidade na previsão do parto prematuro. Seu comprimento tem relação inversa com a probabilidade de um nascimento prematuro.

A população de paciente primigestas ou sem fatores de riscos óbvios em determinada população se beneficiam do rastreamento sistemático já que cerca de 10% da população de baixo risco tem o colo curto (Menor ou igual a 2,5 cm). Gestantes com o colo curto apresentam de 6 a 14 vezes mais chances de evoluir com parto prematuro.

COMPRIMENTO

CERVICAL (MM)
PERCENTILRISCO RELATIVO

PARTO PREMATURO
INTERVALO DE

CONFIAÇA
< 35502.351.42 a 3.89
< 30253.792.32 a 6.19
< 26106.193.84 a 9.97
< 2259.495.95 a 15.15
< 12113.997.89 a 24.78

A medida do colo na população de Baixo Risco deve ser realizada sistematicamente entre 18ª e 24ª semanas de gestação, período que coincide com janela para a avaliação morfológica do feto. Gestantes com medida de colo menor ou abaixo que o percentil 10, o que corresponde a 25 mm, se beneficiarão com o uso de progesterona até o final da gestação, podendo reduzir assim a incidência de Parto Prematuro Espontâneo em até 40%.

Em populações sabidamente de Alto Risco através da história clínica e obstétrica, deve-se iniciar o uso da progesterona no final do terceiro mês, após a primeira avaliação morfológica de 1º trimestre (Exame de Translucência Nucal).  Nessa população, sobretudo naquelas com aborto tardio, parto prematuro extremo e/ou história fortemente sugestiva de Incompetência Istimo Cervical, recomenda-se além do uso precoce da progesterona a avaliação seriada do colo uterino a partir da 16ª semana, a cada 15 dias, até a 24ª semana de gestação com Ultrassonografia Transvaginal no intuito de detectar encurtamento extremo do colo abaixo de 20 mm e dilatação funicular do Orifício Interno do colo. Tais situações necessitarão de medidas mais contundentes, como Cerclagem ou Pessário, que apesar de algumas controversas na literatura, têm apresentado resultados benéficos para o bebê.


TÉCNICA ULTRASSONOGRÁFICA PARA MEDIR O COLO UTERINO NO 2º TRIMESTRE

PROGESTERONA VAGINAL NA PREVENÇÃO DO TRABALHO DE PARTO PREMATURO

Progesterona na Prevenção de Trabalho de Parto Prematuro

PROTOCOLO PARA RASTREAMENTO DO RISCO DE PARTO PREMATURO E PREVENÇÃO

Protocolo sugerido na aula de revisão de prematuridade do Dr Fábio Peralta

Bibliografia

Mielomeningocele: demanda por cirurgia aumenta e Minas Gerais

Equipe de cirurgia de Mielomeningocele Fetal – Hospital Vila da Serra

O cirurgião fetal Fábio Batistuta: “a Mielomeningocele pode causar danos irreparáveis nos nervos da coluna da criança”

Uma doença que vem chamando a atenção dos profissionais da saúde e da sociedade é a Mielomeningocele, caracterizada pela malformação congênita dos ossos da coluna e medula espinhal da criança. Esse fato tem em vista o sucesso dos procedimentos cirúrgicos recentes e a maior divulgação do seu tratamento e excelentes resultados. Embora não haja estudos sobre a sua incidência, dados oficiais estimam que nasça no Brasil uma em cada 1.000 crianças com essa patologia.

De acordo com o cirurgião fetal e coordenador da equipe multidisciplinar especializada nessa doença do Hospital Vila da Serra, Dr. Fábio Batistuta de Mesquita, “a Milelomeningocele é uma doença que acomete o bebê em formação. Ela pode ser devastadora se não tratada a tempo e adequadamente, pois pode causar danos irreparáveis nos nervos da coluna da criança, impossibilitando-a ou dificultando-a desenvolver funções corriqueiras como controlar a urina e os esfíncteres, caminhar, correr ou manter-se de pé sem ajuda de órteses e próteses. Além disso, a lesão observada na coluna, acarreta, na maior parte das crianças não tratadas, o acúmulo de líquido dentro do cérebro (Líquor) que implica no aumento da pressão e no tamanho do crânio, também chamada hidrocefalia, que, consequentemente, pode afetar as funções neurológicas, culminando com o atraso no desenvolvimento neurológico, psíquico e motor da criança”.

Compreendendo a doença – O Dr. Fábio Batistuta explica que com sete semanas de gestação, acontece o fechamento do sistema nervoso e da coluna do bebê. Naqueles que são diagnosticados com Mielomeningocele, esse processo não acontece naturalmente e os nervos ficam expostos. A má formação ocorre na região lombar e essa abertura na coluna pode comprometer o desenvolvimento psicomotor da criança ao longo de toda a vida. A exposição das raízes nervosas do bebê faz com que o líquido produzido no cérebro extravase pelo orifício da medula, o que reduz a pressão intracraniana da criança. Sem correção, a doença pode levar a casos de hidrocefalia, má formação de nervos e neurônios e problemas locomotores variados. Existe, ainda, o risco de dificuldades na bexiga e intestino.

Geralmente, a cirurgia, baseada na “Técnica de Peralta”, é realizada entre a 19ª e a 26ª semanas da gestação, quando o cérebro está em processo de formação. Assim, reduz-se o risco de complicações maternas, sendo possível prolongar a gravidez até aproximadamente a 37ª semana. O procedimento também impede que os danos iniciais se agravem, já que o líquido amniótico tem uma ação corrosiva sobre os nervos expostos, ressalta o especialista, ao observar que a Mielomeningocele é a única má formação fetal não letal, que tem indicação de cirurgia intrauterina, realizada antes do nascimento do bebê.

Existe farta bibliografia médica que comprova que esse procedimento reduz a necessidade de tratamentos depois do nascimento. A cirurgia também dobra as chances de a criança andar sem o uso de próteses e órteses e reduz em 80% a necessidade de se colocar a válvula no cérebro, para reduzir a pressão intracraniana, devido a hidrocefalia.

Segundo o Dr. Fabio Batistuta, as causas da patologia são multifatoriais, isto é, são provocadas por fatores diversos, tais como: predisposição genética, deficiência do ácido fólico, tratamento recente com quimioterápicos, uso de anticonvulsivantes, obesidade materna, diabetes materno não controlado no momento da gravidez, e hipertermia (febre, sauna, banho termal). “A combinação desses fatores pode desencadear um mau fechamento da coluna no momento da formação do embrião durante a gravidez, quando a mãe nem suspeita estar grávida. Por essa razão, toda mulher que planeja engravidar deve procurar um especialista em Ginecologia e Obstetrícia para realizar um aconselhamento pré-concepcional e iniciar o uso de ácido fólico pelo menos dois meses antes de tentar engravidar”.

A principal maneira de diagnosticar a doença é a ultrassonografia, realizada por profissional capacitado a avaliar adequadamente o sistema neurológico do bebê. “Um profissional especialista em medicina fetal tem a capacidade de detectar a doença no momento do exame de Translucência Nucal, que deve ser feito entre a 11ª e 14ª semanas de gestação. Mas a maioria dos diagnósticos é realizado tardiamente, impossibilitando o tratamento ainda dentro do útero materno.

Tendo em vista a sua rica experiência nesse tipo de cirurgia, o Dr. Fábio Batistuta e equipe multidisciplinar do Hospital Vila da Serra se sentem “agraciados pela oportunidade de operar e ver nascer com saúde nossos primeiros bebês portadores de Mielomeningocele. Pérola e Brenda foram submetidas à correção da lesão em Maio desse ano, ambas no 5º mês de gestação, quando pesavam aproximadamente 650 gramas”.

Walkiria e Peter, bem como Daniele Cristina e Rilder, respectivos pais de Pérola e Brenda, agradece o Dr. Fábio Batistuta, “depositaram em nossa equipe a confiança para que pudéssemos intervir sobre a vida de suas filhas num momento tão delicado. Ambas nasceram com mais de 37 semanas de gestação, na data programada para o nascimento, receberam alta direto para casa, juntas dos seus pais, sem necessidade de ficarem internadas em UTI. Hoje estão saudáveis e, até o momento, não precisaram de qualquer cirurgia complementar. Fazem o seguimento com especialistas em diversas áreas, como neurocirurgiões pediátricos, ortopedistas pediátricos e fisioterapeutas, e apresentam recuperação bem acima da média se comparadas com crianças operadas após o nascimento”, enfatiza.

Equipe multidisciplinar – O sucesso do tratamento da Mielomeningocele do Hospital Vila da Serra tem vários motivos. Um deles é a sua equipe médica. “Construímos uma equipe muito especial, formada por profissionais altamente qualificados, de diversas áreas de conhecimento e que atuam juntos para promover um trabalho muito delicado e complexo, que começa com o diagnóstico e vai até após o nascimento”, afirma o Dr. Fábio Batistuta. A equipe é composta por seis especialistas em cirurgias, e dois anestesiologistas, que atuam diretamente em campo cirúrgico com os pacientes, para garantir a segurança da mãe e do bebê. Durante todo o tempo em que estão no hospital, mãe e filho são monitorados de perto, na Unidade de Cuidados Intensivos, até terem condições de irem para o quarto com segurança. Após a alta hospitalar, são acompanhados pelo Dr. Luiz Guilherme Neves, especialista em Gravidez de Alto risco, para continuação do pré-natal, e pelos especialistas em Medicina Fetal, o próprio Dr. Fábio Batistuta e o Dr. Francisco Eduardo Lima, presentes durante todo o processo.

De acordo com o Dr. Fábio Batistuta, imediatamente após o nascimento, o bebê é acolhido por uma das melhores equipes de Neonatologia de Minas Gerais, a equipe do Neocenter, através da equipe de Neurocirurgia Pediátrica liderada pelo Dr. José Aloysio Costa Val, e pela equipe de Microcirurgia Plástica da Dra. Vivian Lemos, para o caso de alguma reparação estética. Antes da alta, mãe e filho são avaliados pela equipe de Ortopedia Pediátrica do Dr. César Luiz Ferreira e pela equipe de Urologia Pediátrica liderada pela Dra. Cristiane Reis Leonardo. Orientações e acolhimento são fornecidas a todo o momento aos pais no intuito de ajuda-los a cuidar do bebê durante todo o processo.

Par o Dr. Fábio Batistuta, “todas as técnicas que utilizamos no Hospital Vila da Serra são estudadas profundamente e discutidas entre toda a equipe. Não realizamos procedimentos experimentais no paciente e cada conduta é baseada nas melhores evidências científicas já consagradas no mundo”.

Portal Medicina & Saúde: (31)3586-0937