O feto como paciente


Até bem pouco tempo, acreditava-se que a vida de um ser humano começava com seu nascimento. Hoje sabemos que um dos períodos mais importantes na formação do indivíduo acontece numa fase da gestação quando muitas mulheres ainda nem tem consciência de estarem grávidas.

Sabemos que muitas gestações necessitarão de algum cuidado médico, seja durante o parto, seja no tratamento de alguma doença  materna como o diabetes ou a hipertensão arterial, ou no tratamento de alguma enfermidade fetal. O difícil é saber, no universo de todas a grávidas, qual se beneficiará de alguma intervenção médica.

O Fetólogo é o profissional especializado no diagnóstico e tratamento de doenças do bebê antes de nascer. Isso inclui as enfermidades maternas que podem levar ao adoecimento fetal simultâneo ou à interrupção precoce da gestaçao. O nascimento prematuro é responsável por mais da metade das causas de morte em recem nascidos.

Diversas estratégias são utilizadas para esse fim. Existem regras claras e em constante adaptação às mudanças tecnológicas, publicadas pelos principais centros de Medicina Fetal no mundo.

O ideal é que as futuras mães façam um acompanhamento antes de engravidarem. Período importante para iniciar o ácido fólico, colocar a vacinação em dia, controlar doenças crônicas, interromper o anticoncepcional e colher o papanicolau. Caso a gravidez não tenha sido planejada, o acompanhamento deverá ser iniciado o mais breve possível.

Basicamente, duas estratégias são adotadas pelos Fetólogos para otimizarem o resultado da gestação, aumentando a possibilidade de que mãe e filho recebam alta hospitalar saudáveis.

1ª – Rastreio universal, ou seja, a avaliação de todas as gestantes por meio de Consulta Clínica Especializada, Avaliação Laboratorial e Ultrassonografia com Estudo Morfológico Avançado, Doppler e Exame transvaginal. As avaliações são realizadas sistematicamente de 11 a 13 semanas e 6 dias, de 18 a 24 semanas e de 28 a 32 semanas. Nessas visitas define-se o perfil de risco da gestação e individualiza a condução da gestação. É nesse momento que se adota medidas preventivas, curativas e uma agenda de acompanhamento que varia de acordo com os ricos observados.

2ª – Outra abordagem é destinada para as gestações sabidamente doentes, para as de alto risco ou para aquelas cuja avaliaçao inicial evidenciou alguma variação da normalidade. Nesses casos o Fetólogo interferirá, caso necessário, para definir o diagnóstico preciso, propor um tratamento quando possível e definir quais resultados esperar.  Baseando-se nas evidências científicas atualizadas, um plano de cuidados poderá ser montado.

O Fetólogo trabalha em conjunto com o obstetra e não substitui seu papel. Será o obstetra o condutor dos cuidados maternos e o responsável pela assistência ao parto. Naturalmente haverá  divergências de condutas, principalmente em se tratando de uma ciência em constante tranformação, mas o importante é que trabalhando em equipe, o obstetra, o fetólogo, o neonatologista, o cirurgião pediátrico, o pediatra clínico, o anestesista, o geneticista, o psicólogo e os demais envolvidos nos cuidados, atuem sinergicamente buscando o melhor resultado para a criança e toda a família.

* A foto acima ilustra uma cirurgia de correção de uma Mielomeningocele em uma gestação de 21 semanas, pela técnica de minihisterotomia desenvolvida pelo Dr Fábio Peralta e a equipe de neurocirurgia do Dr de Sales.

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